Piripaque

tem horas em que mesmo perseverando, mantendo a firmeza, aguentando todas as pressões, deixamos de suportar. sucumbimos, passamos mal, temos um momento ruim. a sensação de enjoo, a reviravolta dos sentidos, o suor escorrendo pelas costas. deitei-me no chão e ergui as pernas na cadeira. fiquei ali sozinha, sala escura, por longos minutos, interminável tempoContinuar lendo “Piripaque”

Sem perdão

as culpas se entrelaçaram: minhas, tuas, nossas. desculpar-se não desfaz os malfeitos. o nevoeiro das decisões maltrapilhas não se dissipa na falha da claridade. até a lua se acovarda frente ao vendaval. o meu eu sombrio não pode mais se autoproclamar real. a restinga da narrativa construída em cercania de dor geme sua descoberta. oContinuar lendo “Sem perdão”

Calendário

os dias seguem com os assombros do agora. somos tomados pelo tempo em dimensões covardes. deixamos de viver a singularidade dos dias com os outros e estamos mergulhados na infinidade de nós mesmos. vemos, pela graça dos recursos tecnológicos, os bebês de ontem andando, a abundância dos cabelos das meninas em longas tranças, as calçasContinuar lendo “Calendário”

Meu primeiro amor

Muito me ensinou meu primeiro amor. Ensinou-me que amar é tarefa para uma vidaE que, mesmo quem ama, não está isento de cometer erros.Que os erros que cometemos não são imperdoáveis.E que o desejo do amor e do reconhecimento persistirá, não importa nossa idade. Ensinou-me que devemos ser gratos para com os presentes da vida.CorretosContinuar lendo “Meu primeiro amor”