Giratório

me perdi entre as vírgulas do texto sem palavras em busca do sentido metafórico das estrofes entre parênteses querendo algum indício de sua caligrafia perfeita para guardar com os cartões postais dos lugares onde não estivemos.

Epílogo

os versos a serem escritos perderam-se no precipício dos instantes infinitesimais entre o antes e o agora emaranharam-se no rol de silêncios abissais emitidos morreram nos desejos insustentáveis profanados no céu da sua boca.

Alheios

há becos escuros em minha garganta palavras não ditas que se transformam em anseios sombrios, vigília e assombrações. o passado a desamparar o presente o presente a desconfiar do futuro o futuro a sepultar idealizações. o inferno, talvez, sejam mesmo os outros.

Trivial

as palavras me tomam quando eu leio e ainda mais quanto mais escrevo transbordam quando estou triste e dançam (em minha mente) quando estou bem. as palavras apenas me faltam nos mais ou menos da vida a poesia, talvez não aceite a mediocridade.

Inferno

Na mulher nefasta que habita suas fantasias e enredos esboçados, mora uma criança tola, assustada e ávida por algum apreço. Nas linhas tortuosas de suas histórias amargas e das palavras de onde irrompe fel, mora o deleite de quem esqueceu o gozo. Nos fatos arranjados das tramas nas quais a culpa é sempre alheia, habitaContinuar lendo “Inferno”