Inferno

Na mulher nefasta que habita suas fantasias e enredos esboçados, mora uma criança tola, assustada e ávida por algum apreço. Nas linhas tortuosas de suas histórias amargas e das palavras de onde irrompe fel, mora o deleite de quem esqueceu o gozo. Nos fatos arranjados das tramas nas quais a culpa é sempre alheia, habitaContinuar lendo “Inferno”

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo (…) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida… Quem me dera ouvir de alguém a voz humana QueContinuar lendo “Poema em linha reta”

Perdão

Não vou te perdoar Simplesmente porque não há razões Não há mal algum Desajuste Instabilidade Ou colapso Que tenha causado Que eu não tenha feito antes (e pior) A mim E a ti. Não precisas de perdão Desculpas Ou retratações. Nunca foi necessário. Quanto a mim, Que Deus, pelo menos, Tenha piedade das minhas faltasContinuar lendo “Perdão”

Inventário de medos

Tenho medo de emergir em mim mesma De não achar o fio da trama dos sentimentos absurdos Tenho medo de encontrar os fios E descobrir enredos internos obtusos. Tenho medo de acreditar na sorte De confiar em caminhos cheios de sonhos Tenho medo da falta de sorte Do inesperado, do desespero, da ausência de controle.Continuar lendo “Inventário de medos”

Tudo fica

Não passam as dores, também não passam as alegrias. Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve para montar o quebra-cabeça de nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças. Aquela noite em que você não dormiu por não parar de chorar, aquele dia em que você ficou caminhando sem saber aonde ir, oContinuar lendo “Tudo fica”