Invernal

às seis da manhã passo um café

e sento com meus fantasmas

botamos as cartas na mesa

sobre luto, cicatrizes, memórias.

falamos das marcas gravadas na pele

dos caminhos, escolhas e histórias

e discutimos sobre

reparações.

choro revelando

lembranças que permanecem

(embora não permaneçamos os mesmos),

incômodos que ficam

e tropeços.

confesso que os sonhos da noite

são cada vez mais raros durante os dias

e que a perda da inocência

é quase tão dura

quantos os golpes, quase tão triste

quanto a morte.

Obra de Picasso, 1902.

Publicado por Ana Luisa Bittencourt

Não sou escritora, nem blogueira. Apenas escrevo, eventualmente, em verso ou prosa. Meus textos são todos autorais.

2 comentários em “Invernal

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: