Análise

Deito-me no divã

E me escuto falar

Da minha compreensão obtusa

Dos papéis encenados

Dos imbróglios tão pouco alheios

Dos meus hiatos

Dos meus lapsos de juízo

Das minhas atuações…

Vejo-me tola e insensata

Amaldiçoada por rastros de devaneios

Que criam irrealidades

E perpetuam gestos hiperbólicos.

Encontro-me menina de novo e de novo

Farto a memória

Expio culpas e rearranjo histórias

Calo-me, por fim.

E meus silêncios dizem mais do que me fiz escutar.

Anoiteço e amanheço do avesso

Entrecortada que estou por tanta singularidade.

Arquivo Pessoal, Museu Freud, Viena.

Publicado por Ana Luisa Bittencourt

Não sou escritora, nem blogueira. Apenas escrevo, eventualmente, em verso ou prosa. Meus textos são todos autorais.

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