Juiz

o telefone tocou e fez ressoar as palavras: ele deveria recolher sua trouxa e se retirar. a batalha não encerrava a guerra, mas o novo capítulo permitiu um sono sem cortes. lembrei-me, enojada, do jeito vulgar de quem tenciona riqueza, dos argumentos vis, das relações descerebradas e das palavras quase obscenas: tudo para mim é negócio.

a guerra não se estendeu por longo tempo: aquele prenúncio definiu quem deveria ganhar ou perder. ainda assim, seguiram-se longos dias de barulhos mentais e um susto constante pela possibilidade do encontro. os ruídos calaram-se e o embate não houve. uma dose seca de ódio ainda foi companhia por dias intermináveis. cantei vitória bebendo vinho barato e contando as moedas do cofre.

Publicado por Ana Luisa Bittencourt

Não sou escritora, nem blogueira. Apenas escrevo, eventualmente, em verso ou prosa. Meus textos são todos autorais.

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