Sobre as crianças e suas "artes"

Crianças e suas artes.
Antes de ontem, no meio da tarde, fui surpreendida por um telefonema da orientadora da escola do meu filho mais velho:
– Ana, o João fez uma arte.
– O quê? O que aconteceu? – pensando em dentes quebrados e fraturas expostas.
– Bem, ele e o Bruno (seu grande amigo) resolveram colocar um grão de milho no ouvido, no caso, no ouvido do Bruno.
– Não acredito!
– Sim, a mãe do Bruno já veio pegá-lo para levá-lo ao médico e o João está aqui, aos prantos, porque acha que vai ser expulso da escola.
– Ai, ai, ai!
– Já acalmei-o, mas agora ele está preocupado com o Bruno.
– Bem… Vou buscá-lo!

No carro:
– João Pedro, por que vocês fizeram isso?
– …
– Conte-me, meu filho!
– Um dia, o Lui não estava um pouco resfriado e, por causa disso, teve dor de ouvido?
– Sim.
– E quando você coloca aquele remédio no meu nariz, eu não sinto o gosto dele na boca?
– Sim.
– E quando o Lui teve aquela sinusite, que virou conjuntivite e saiu um pouco de melequinha pelo olho dele?
– Sim, o que tem tudo isso?
– Então não está tudo meio junto, nariz, boca e ouvido?
– De certa forma.
– Então, fizemos uma experiência científica! Colocamos um grão de milho no ouvido do Bruno para ver se caía na boca!
– Então foi isso?
– Sim… mas só descobrimos que deu errado, depois que o milho já estava lá…
– Ai…

Seguiu-se a esse diálogo uma aula de ciências e outra sobre os perigos de se colocar coisas no nariz e no ouvido. Perguntas feitas, explicações detalhadas, telefonemas para a mãe do Bruno, tudo certo, tudo entendido.

No outro dia, na chegada da escola, ambos se encontraram no portão de entrada.
Bruno grita:
– João… tiraram a espiga do meu ouvido!
João Pedro responde:
– Era só um grão, Bruno. Você acha que caberia uma espiga?
Risos.

Ainda bem que não cabe.

Publicado por Ana Luisa Bittencourt

Não sou escritora, nem blogueira. Apenas escrevo, eventualmente, em verso ou prosa. Meus textos são todos autorais.

5 comentários em “Sobre as crianças e suas "artes"

  1. Ao mesmo tempo que apreensivo, vejo a situação de forma engraçada.Mas ainda há outra perspestiva: duas crianças de 7 anos interessadas em saber como as coisas funcionam, pensando, tirando suas próprias conclusões e levando a cabo suas experiências.Passada a crise, vêm as risadas que envolvem a situação e o orgulho de saber que os estímulos e a educação que sempre demos estão no caminho certo.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: