De quando fomos outros

Quando fomos crianças, conhecemos várias pessoas na escola. Tornamo-nos amigos de alguns, inimigos eternos de outros; nos entendemos, desentendemos, reatamos, nunca mais nos falamos. Lembramos de muitos pelo rosto, gestos, graças feitas. De outros, pelo nome, dito diariamente nas listas de chamada. De alguns, entretanto, nenhuma memória, semblante ou alcunha.


Brigamos com colegas por razões que esquecemos. No ano seguinte já não nos lembrávamos. Pequenas coisas, palavras mal-ditas, amigos roubados, livros não-devolvidos, passeios esquecidos.  Bons tempos vividos, bobagens partilhadas. Coisas da infância.


Com a adolescência, vieram os namoricos, os novos amigos, os desentendimentos dobrados. O namorado “roubado”, a namorada que nunca foi, o amigo que já era! As idas e vindas de momentos intensos, que acreditávamos duradouros, eternos… Tão furtivos quanto as provas mensais de matemática – todas tiveram o mesmo destino: o lixo. Nunca conseguirei me lembrar de uma questão sequer!  Momentos que passaram, sempre passam, devem passar. Faz parte do crescer, amadurecer, tornar-se adulto: deixar para lá o que deixa de ter importância.


Interessante esse mundo em que vivemos: podemos, nele, reecontrar virtualmente vários colegas de escola,  já adultos. Além das rugas, da barriguinha, dos cabelos brancos, também somos mais maduros (devo acreditar que somos!). A adolescência passou, que bom. Essa é a melhor parte dela, ela passa.

Publicado por Ana Luisa Bittencourt

Não sou escritora, nem blogueira. Apenas escrevo, eventualmente, em verso ou prosa. Meus textos são todos autorais.

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