Barata

De onde vêm as baratas? Como uma criatura nojenta e desagradável daquelas aparece na porta do quarto cheirando a limpo, ar condicionado ligado, às nove da noite? Onde habitam esses seres tão repugnantes? Que caminhos fazem para que apareçam desta forma?
Lembrei-me de um sonho que tive: encontrava um escorpião atrás de uma almofada sobre a qual eu iria recostar. Acordei assustada, procurando algum bicho peçonhento escondido no quarto.
Parece que temos sempre alguns monstros ou pequenos seres estranhos guardados em algum canto de nós, que teimam em aparecer sem aviso, em horas estranhas e inoportunas. Lógico, estranhos dificilmente são bem vindos.
A barata, eu matei. Não tenho medo. Inseticida em uma mão, chinelo na outra, não há chance para ela. O escorpião, nunca mais sonhei. Matei o sonho (pesadelo?).
De alguns monstros conseguimos nos livrar. Com outros temos que conviver, aos tropeços, por longos tempos. Fazem parte de nós. Fazem parte do que somos, mesmo que sejam vistos apenas por nós mesmo.
Não sei se é possível matá-los todos. Mas podemos deixar de alimentá-los pouco a pouco, para que padeçam a míngua, sem força de se mostrarem.

Publicado por Ana Luisa Bittencourt

Não sou escritora, nem blogueira. Apenas escrevo, eventualmente, em verso ou prosa. Meus textos são todos autorais.

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