Procura-se

Procura-se um lugar para viver. Um lugar conhecido, onde se possa encontrar, em alguma esquina, uma ou outra lembrança. Um lugar onde não se sinta sempre estrangeiro. Um lugar novo, porém antigo. Um lugar fresco, porém farto de calor – humano! Um lugar onde não se sinta só. Onde não se seja só. Onde não haja sempre a sensação de pessoas sem memória e lugares sem história. Um lugar onde se possa ser visto. Visto e lembrado.

Procura-se um emprego. Sem dúvida, bem remunerado. Com pessoas com quem se possa aprender e a quem se possa admirar. Onde se possa crescer com dores suportáveis. Onde se possa conviver com situações contornáveis. Onde se possa ser e se arriscar, sem temer. Onde se possa ser criativo. Criativo e feliz.

Publicado por Ana Luisa Bittencourt

Não sou escritora, nem blogueira. Apenas escrevo, eventualmente, em verso ou prosa. Meus textos são todos autorais.

2 comentários em “Procura-se

  1. Sei o que você quis dizer. Muitos outros sentiram (ou sentem) o mesmo: a procura do lugar sonhado, como nestes trechos que escolhi, para consolá-la, de \”Cada coisa\”, de FERNANDO PESSOA (Ricardo Reis).Cada coisa a seu tempo tem seu tempo. Não florescem no inverno os arvoredos, Nem pela primaveraTêm branco frio os campos…Com mais sossego amemosA nossa incerta vida.À lareira, cansados não da obraMas porque a hora é a hora dos cansaços, Não puxemos a vozAcima de um segredo,E casuais, interrompidas, sejamNossas palavras de reminiscência…Pouco a pouco o passado recordemosE as histórias contadas no passadoAgora duas vezesHistórias, que nos falemDas flores que na nossa infância idaCom outra consciência nós colhíamosE sob uma outra espécieDe olhar lançado ao mundo…Nesse desassossego que o descansoNos traz às vidas quando só pensamosNaquilo que já fomos,E há só noite lá fora.Mamy

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  2. Eis o que Hermann Hesse escreveu sobre àrvores:\”As arvores sempre foram para mim os oradores mais convincentes…..São como os seres solitários, mas não como eremitas que por causa de uma fraqueza se isolaram, mas como os grandes homens solitários: como Beethoven e Nietzshe…..Solitárias, elas não se perdem, senão com toda a força do seu ser procuram a única meta, preencher a sua própria lei desenvolvndo suas formas e se autorrepresentando……Quem sabe como falar-lhes, ouvi-las, esse conhece a verdade. Elas não pregam ensinamentos e receitas, pregam isoladamente a primária lei da vida…….As árvores têm pensamentos extensos, calmos e de fôlego comprido, da mesma forma que sua vida é muito mais longa que a nossa.Papi

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